Boehringer Ingelheim

Os donos do dinheiro

Ágeis como ninguém, quando o assunto são números, e reservados como poucos, quando convidados a falar deles mesmos. Assim são os executivos da área financeira. “Quem gosta de aparecer e brilhar não se dá bem nesse campo” diz Roberto Lopes, de 43 anos, vice-presidente de finanças da administradora de cartões de crédito American Express.

Os colegas de outras áreas costumam considerá-los viciados em trabalho e muito bem remunerados. Nem sempre eles concordam com esse estigma. De qualquer forma, o momento lhes é favorável, com grandes chances de crescimento nas empresas.

Desde que estouraram os escândalos de fraudes nos balanços de gigantes como Enron e Parmalat, esse pessoal ganhou visibilidade e mais responsabilidade em todo o mundo. Em contrapartida, a carga de trabalho vem aumentando para mais de 12 horas, e há quem enfrente jornadas de 15 horas em época de fechamento de balanços trimestrais, por exemplo. “Uma pessoa de marketing pode dizer a mesma coisa, mas certamente a quantidade de horas trabalhadas é uma desvantagem na nossa área diz Alexandre Fiorati, de 33 anos, controller do laboratório alemão Boehringer Ingelheim. Além disso, eles sempre trabalham com a corda no pescoço. Afinal de contas, um só deslize e o planejamento financeiro da empresa vai para o beleléu.

Às vezes, a pressão sobe porque o executivo precisa cumprir com as obrigações de novas leis, como a Sarbanes-Oxley, que passou a exigir das companhias americanas um controle muito mais rígido de suas operações. Em outras situações, o profissional tem de trabalhar em meio a incertezas, como as geradas pela crise política atual. “Estamos sempre em período de turbulência’ diz Patrícia Fabian Holzmann, de 29 anos, diretora financeira da Siemens no Brasil. “Por essas e outras, sempre é preciso buscar mais sistemas para automatizar os processos operacionais’ completa Ronaldo Valentine, de 52 anos, diretor financeiro do laboratório Eurofarma. Mas será que o salário compensa tanto desafio? Certamente. Só que o pessoal da área é discreto para falar sobre isso.

Os donos do dinheiro não deixam que a conversa vá muito longe nesse terreno. Um bom indicador de como está o bolso dessa turma é o levantamento da Perfil Consultores Executivos, de São Paulo. O estudo indica que o executivo da área de finanças teve 10% de índice médio de reajuste salarial em 12 meses, o maior entre os de mais setores. No ranking dos mais bem pagos, os diretores financeiros já ocupam o terceiro lugar, atrás das áreas de marketing e industrial, respectivamente. “O executivo top de linha pode ter uma remuneração total de 160 000 reais por mês, incluindo aqui todos os beneficios’ diz Antonio Carlos Martins, headhunter da Perfil. Ele se refere ao salário de um vice-presidente financeiro de empresa com faturamento anual acima de 1,5 bilhão de dólares, acrescido de benefícios como aluguel e carro, mais a remuneração variável. Na média, no entanto, a remuneração total fica na casa dos 60 000 reais por mês, segundo um outro estudo da consultoria Mercer, de São Paulo.

Antonio Carlos conta que, no ano passado, 40% das contratações feitas por meio da Perfil foram de executivos financeiros. “O aumento na remuneração se deve ao fato de ter profissionais de finanças ocupando cargos mais no topo das empresas afirma Alexandre, do Boehringer Ingelheim. Esses cargos são alcança dos, segundo eles mesmos, graças a uma mudança na visão das empresas. “O financeiro está deixando aquela imagem de homem que paga as contas”, afirma Ivan de Souza, diretor gerente-geral da Cincom, fabricante de software. “Hoje fazemos parte da decisão de assuntos estratégicos Esses profissionais também têm sido requisitados para áreas afins, como de relação com investidores e governança corporativa. “Isso ocorre porque nossas competências não incluem apenas o controle do dinheiro’ diz Karina Giglio, de 27 anos, coordenadora de finanças da Oregon Scientiflc, fabricante de eletrônicos. “Temos bom conhecimento sobre o negócio.”

fonte: Revista Você S.A / Págs. 48 a 50


Este site destina-se ao público brasileiro em geral.
Care Center – Atendimento ao Cliente - 0800 701 6633 ou Central de Contato.
Copyright © 2002 Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica.
Todos os direitos reservados. Termos de uso |  Política de Privacidade